Décima primeira parada: A vida na vila – Anker (Suíça)

Viajantes apaixonados por café, seguimos para mais uma aventura!

Partimos da Rússia contemporânea e chegamos na pequena vila de Ins, na cidade de Berna, na Suíça de 1831, quando nascia Albert Samuel Anker (1831-1910).

Com 14 anos começa os seus primeiros estudos de desenho com Luis Wallinger na cidade de Neuchâtel, onde frequentava a escola. Após este período, em 1849, continua seus estudos escolares em Berna e, em 1851, começa estudar Teologia e continua em Halle, na Alemanha. Lá, inspirado pelas grandes coleções de arte convence seu pai, em 1854, a focar na carreira artística.

Muda-se para Paris onde estuda na Escola Nacional de Belas Artes e entra em contato com diversos impressionistas, entre 1855 e 1860. Volta para Berna e instala, então, um estúdio no sótão da casa de seus pais onde pinta e participa de diversas exposições na Suíça e em Paris,

este que vai ser seu estúdio por toda a sua vida.

Foto de Anker em seu estúdio em 1907

É na vila de Ins que vive e pinta a maior parte de suas obras, ficando conhecido como o “pintor nacional da Suíça”, justamente por retratar a vida, o dia a dia dos suíços da sua época. Alguns exemplos são: Casamento Civil (1887).

imagem Casamento Civil (1887)

Casamento Civil (1887)

imagem Órfãos do País (1876)

Órfãos do País (1876)

imagem A creche (1890)

A creche (1890)

Pintar crianças como nesta tela era uma das principais atividades de Anker. Ele era bastante engajado em questões de educação de crianças na vila e suas pinturas refletem as mudanças do sistema de educação da Suíça na época.

Ele defendia, por exemplo, que brincar era tão importante quanto estudar.

Diversas obras mostram o dia a dia das crianças da vila, como Menina alimentando galinhas (1865).

imagem Menina alimentando galinhas (1865)

E Avô contando uma história (1884):

imagem Avô contando uma história (1884)

Avô contando uma história (1884)

E é por aqui que nosso amado cafezinho aparece pela primeira vez, em uma tela na qual retrata o Café da Manhã das Crianças (1879).

imagem Café da Manhã das Crianças (1879)

Ele é retratado também na tela Café e Conhaque (data desconhecida).

imagem Café e Conhaque

e Café para dois (1877), que fazem parte de uma coleção de mais de 30 obras de natureza morta em que Anker pintou mesas de famílias suíças.

imagem Café para dois (1877)

Anker casa-se com Anna Rufli (1867-1914), em 1864, com quem teve seis filhos. Dois, como muitos moradores da vila, faleceram em idade tenra pela Malária. Os outros quatro – Louise, Marie, Maurício e Cécile – são retratados em algumas pinturas de Anker.

Além de viver na vila, Anker também viajou bastante, passando muitos dos invernos de sua vida em Paris e conhecendo diversos países europeus. Ele conseguia se sustentar e sua família, vendendo em sua maior parte retratos realistas, como Menino tocando tambor (1904).

imagem Menino tocando tambor (1904)

Mas sua preferência pessoal era pintar aquarelas, como Cena de cozinha (1892).

imagem Cena de cozinha (1892)

Em 1866, recebeu uma medalha de ouro no Salão de Paris para duas de suas telas.

Entre os anos de 1870-74 foi membro do Grande Conselho de Berna, quando iniciou a construção do Museu da cidade. Foi também membro da Comissão Federal de Arte Suíça e em 1900 recebeu um doutorado honorário da Universidade de Berna. Foi após a sua morte, 1910, que se realizou a primeira exposição de suas obras no Museu de História da Arte de Neuchâtel.

A casa que viveu na vila pertence ainda a sua família e hoje é um museu vivo que pode ser visitado, inclusive se hospedando lá. Familiares cuidam do espaço e se reúnem periodicamente no local para fazer algumas refeições.

imagem Casa em que Anker viveu e faleceu com 79 anos

Casa em que Anker viveu e faleceu com 79 anos

Esta reportagem sobre a vida e obra de Albert Anker mostra a casa por dentro.

Você pode conhecer todos os museus que as pinturas de Anker se encontram, como o Museu de Arte de Bern e de Zurich.

E aqui um vídeo de 18 minutos com diversas obras do pintor.

E você, companheiro de viagem, tem gostado de nossa aventura? Comente!

Nossa próxima parada será a última desta série. Não perca!

Não deixe de ler:

Décima parada com: Razumov

Nona parada com: Van Gogh

Oitava parada com: Berthe Morisot

Sétima parada com: Paul Signac

Sexta parada com: Pierre Auguste Renoir

Quinta parada com: Edvard Munch

Quarta parada com: Hanna Hirsch-Pauli

Terceira parada com: Rafael Barradas

Segunda parada com: Jean-Baptiste Debret

Primeira parada com: Cândido Portinari

Carol Lemos – jornalista, mudou-se de São Paulo para Alto Paraíso, onde encontra inspiração para escrever e cuidar dos pequenos Uirá Alecrim e Dhyan Eté. Carol escreve semanalmente para o blog do Grão Gourmet. E-mail: carolinalcoimbra@gmail.com.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *