Quarta Parada: A hora do cafezinho – Hirsch (Suécia)

Olá viajantes, vamos continuar nossa aventura? Partimos da América Latina e seguimos viagem para a Europa, mais precisamente na cidade de Estocolmo, na Suécia de 1864, aonde nascia Hanna Hirsch-Pauli (1864-1940). Hanna começou a estudar arte aos doze anos, na Escola de Arte para Mulheres de August Malmström (1829-1901). Lá, se torna companheira de estudos de Eva Bonnier (1857-1909), também pintora. As amigas, seguem seus estudos na Academia Real de Artes de Estocolmo. Em 1881, Hanna se muda para Paris a fim de se aprimorar na pintura, compartilhando o estúdio com Bonnier e permanecendo até 1887.

Realismo das artistas

Como quase todas as mulheres artistas de sua época, Hanna Hirsch (como assinava suas telas) se dedicou a ser retratista e pintar “ao natural”, apenas o que era socialmente permitido a ser produzido. Romper com essas regras era praticamente impossível naqueles tempos. Um exemplo é o retrato que fez da escultora Venny Soldan (atualmente no Museu Nacional de Gotemburgo, aceito no salão de Paris de 1887. A tela, realizada em uma sessão informal em seu estúdio, com a artista segurando um pedaço de argila e sentada no chão, foi considerada “feia”, “pouco feminina” e “uma vergonha” por alguns críticos incomodados com tanto realismo, já que as mulheres normalmente eram retratadas com trajes burgueses, sentadas “corretamente”.

imagem Venny Soldan

Hanna seguiu sua dedicação à pintura e no mesmo ano, casa-se com o pintor sueco Georg Pauli (1855-1935) viajando e pintando juntos pela França, Itália e Espanha. Georg era adepto do Cubismo, mas Hirsch foi considerada uma artista impressionista.

Suas obras são em sua maioria retratos, feito nos interiores e também ao ar livre: preferindo o movimento, as cores, a luz, escolhendo o contato com a natureza e as pessoas rodeadas pela paisagem.

O café que “fika”

E é aí que entra o nosso querido cafezinho!

Hirsch pintou diversas cenas de café-da-manhã que retratam esta deliciosa bebida. E não é por acaso: a suécia é um dos maiores consumidores de café do mundo! Segundo pesquisa realizada pela World Resourses Institute.

Os suecos consomem 8,2 kg por pessoa por ano, ficando com o terceiro lugar em consumo no planeta. Nós brasileiros consumimos 5,6 kg.

Mapa de consumo de café no mundo

imagem Título e data não encontrados

Título e data não encontrados

Os suecos realmente tomam muito café, eles inclusive têm uma palavra específica para designar aquele momento especial em que sentam para conversar tomando um belo cafezinho: “fika” que significa literalmente “tomar café”. Esta palavra também é utilizada pelos finlandeses, os maiores consumidores de café do planeta.

É este momento, do café da manhã e de se sentar para o “fika” que esta artista eternizou em suas pinturas.

imagem Título e data não encontrados

Título e ano não encontrados

imagem Café da manhã 1896

Café da manhã (1896)

Sua obra mais famosa Frukostdags (Hora do café da Manhã) de 1887 retrata uma mesa da café da manhã deliciosamente convidativa. Exposta no Museu Nacional da Suécia, em Estocolmo.

imagem Frukostdags

Frukostdags 1887

A tela recebe uma atenção especial do Museu, que em seu acervo virtual, coloca a seguinte descrição: Até os dias de hoje… ainda é capaz de desencadear intensos sentimentos de prazer sensual em nossos visitantes.

“Nós realmente nos sentimos convidados; é realmente como nosso próprio ritual de café da manhã. As cadeiras estão nos esperando…”.

Depois destas telas dá vontade de ir à um parque, ou sair ao quintal e tomar aquele belo cafezinho contemplando a natureza, não?

Se você quiser conhecer mais telas da artista, indicamos dois vídeos, Hanna Hirsch-Pauli um de quatro minutos e Hanna Hirsch-Pauli paintings de oito minutos, ambos com diversas telas da artista.

E encerramos por aqui mais uma de nossas visitas na viagem do Café com Arte.

Qual será o próximo destino? Quer dar uma sugestão? Comente abaixo.

Até a próxima parada, em mais um Café com Arte!

Não deixe de ler:

Terceira parada com: Rafael Barradas

Segunda parada com: Jean-Baptiste Debret

Primeira parada com: Cândido Portinari

Carol Lemos – jornalista, mudou-se de São Paulo para Alto Paraíso, onde encontra inspiração para escrever e cuidar dos pequenos Uirá Alecrim e Dhyan Eté. Carol escreve semanalmente para o blog do Grão Gourmet. E-mail: carolinalcoimbra@gmail.com.

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