Café pelo mundo: Áustria

Café Central Viena

Áustria: os cafés que fizeram história

Mapa da Áustria

Falar da relação da Áustria com o café é falar de sua capital, Viena, e da famosa cultura dos seus cafés!

Isso porque talvez o mundo (e a forma como nos relacionamos com ele) não fosse o que é hoje se não fossem os cafés vienenses.

Foram neles que pessoas como Adolf Hitler, Leon Trotsky, Joseph Tito, Joseph Stalin, Gustav Klimt, Egon Schiele, Sigmund Freud, Peter Altenberg, Alfred Adler, entre muitos outros, conversavam sobre seus pontos de vista, debatiam ideias e, porque não dizer, tomaram algumas resoluções que mudaram o curso da história.

No final do século XIX e início do século XX, Viena era uma miscelânea multicultural com metade dos seus residentes vindos de outros países e mais de doze idiomas falados.

imagem Fachada do Café Landtman, o preferido de Freud

Fachada do Café Landtman, o preferido de Freud

A cultura dos debates em cafés virou parte da vida cultural e social de Viena, parte da vida vivida na capital. Justamente por isso a “Wiener Kaffeehauskultur” ou Cultura Vienense das Casas de Café é considerada, desde 2011, Patrimônio da Cultura Intangível pela Unesco, descrita como:

“lugar onde o tempo e o espaço são consumidos, mas somente o café vai para a conta”.

Mas, como esses cafés surgiram em Viena?

A lenda dos cafés vienenses

imagem O cerco turco à Viena, de Tyssill

O cerco turco à Viena, de Tyssill

Existe uma lenda, amplamente difundida e que até pouco tempo atrás acreditava-se ser fato, de como surgiram os cafés vienenses. Ela data de 1683 quando Viena foi cercada e sitiada pelo exército Turco Otomano. Conta-se que o jovem polonês Jerzy Franz Kolschitzky (1640-1694) que falava diversas línguas, entre elas o turco, se voluntariou para atravessar o acampamento otomano e contatar o duque de Lorena para enviar reforços.

imagem Jerzy Franz Kolschitzky (1640-1694)

Dizem que atravessou o acampamento vestido com as roupas do exército turco e cantando canções otomanas e conseguiu retornar à Viena com a notícia de que a ajuda viria em breve. Com a chegada dos aliados e a vitória sobre os Otomanos, ele virou uma espécie de herói na época, recebendo diversas recompensas, entre elas, sacas de café abandonadas pelos turcos quando estes partiram em retirada.

Com o prêmio, Kolschitzky teria aberto a primeira casa de café de Viena, chamada “Hof Zur Blauen Flasche” que significa “Casa Sob a Garrafa Azul”, servindo o café turco que ele aprendera a fazer quando morava em Istambul. Como este café não agradava o paladar dos vienenses ele teria adicionado leite e mel, tornando a bebida um sucesso, ainda hoje preferida pelos vienenses, servida com um creme doce.

imagem Cena de uma casa de café de Viena Zu den blauen Flaschen

Cena de uma casa de café de Viena “Zu den blauen Flaschen”

Mas na verdade, o primeiro café vienense foi aberto cerca de um ano antes do de Kulczycki, em 1685, por Johannes Diodato (1640-1725), nascido em Istambul, e de origem armênia. De qualquer forma, a heroica lenda do soldado rendeu festas dedicadas a ele e, inclusive, estátuas do moço nas ruas de Viena, como esta, na foto abaixo:

imagem Kulczycki

Cafés na atualidade

Viena tem atualmente mais de mil casas de cafés em suas ruas e, de acordo com uma pesquisa online feita pela MindTake, 92% dos austríacos tomam café, sendo que três quartos tomam pelo menos uma xícara por dia.

A capital abriga diversos eventos voltados para o café, e se você está pensando em visitar a cidade vale a pena agendar sua viagem para incluir o principal deles: o Viena Coffee Festival, tendo sua próxima edição de 12 a 14 de janeiro do ano que vem.

imagem Café Central

Café Central

A lista de cafés a serem visitados na cidade é tão extensa que existem diversos sites e blogs falando sobre quais visitar e o que ver e apreciar em cada um.

Sugerimos esta página Vienna para você conhecer algumas opções de casas de café vienenses, como o tradicional Café Central.

A torra típica na Áustria é até os grãos de café ficarem muito escuros, quase pretos e esta é a coloração comum dos grãos de café na região.

Quando chegar lá, você simplesmente não pode apenas pedir “um cafezinho”. Na Áustria, os turistas costumam ficar perdidos porque existe mais de doze variações de café, mesmo nas menores casas.

O Tour My Country possui uma espécie de guia de opções de cafés disponíveis para se apreciar por lá. Hoje, os cafés vienenses continuam tão vivos como estavam no passado. Sentar e apreciar nossa bebida predileta é também vivenciar uma atmosfera especial: de criação, de interação, de conversas e de construção do novo.

E você, já se imaginou nos cafés vienenses no final do século XIX?

O que você faria, com quem conversaria?

Conta pra gente!

Fontes: 

BBC Brasil

360 Meridianos

El País

Travel Intense

The Local

Taste of Austria

Leia também:

Café pelo Mundo – Itália: café como tradição e excelência

Café pelo Mundo Turquia: o futuro em uma xícara de café

Carol Lemos – jornalista, mudou-se de São Paulo para Alto Paraíso, onde encontra inspiração para escrever e cuidar dos pequenos Uirá Alecrim e Dhyan Eté. Carol escreve semanalmente para o blog do Grão Gourmet. E-mail: carolinalcoimbra@gmail.com.

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4 ideias sobre “Café pelo mundo: Áustria

  1. Marcelo Molterer diz:

    Parabéns pela matéria.
    Só não tolero a torra super escura / negra que eles costumam tomar seus cafés, principalmente da JULIUS MEINL KAFFEE.
    Abraço
    Marcelo
    @mmolterer

    • Renata Kurusu Gancev diz:

      Obrigada pelo comentário Marcelo 😉 Deve ser tão escura por eles misturarem com leite e outras coisas…

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