Consumo de café no mundo

Grãos de café especial torrados na mão

Hoje vamos falar do consumo mundial desse grão que tanto amamos, o café.

Durante a abertura da conferência promovida pela associação dos exportadores de café da Etiópia este mês, a Organização Internacional do Café (OIC) apontou que o mundo precisará de 30 milhões de sacas a mais para atender o aumento do consumo. O Brasil figura como ator principal neste quadro, por ser o maior exportador, pela disponibilidade de terras e pelo custo de produção competitivo.

Você sabia que os Estados Unidos são os maiores consumidores de café e que nós brasileiros estamos bem perto de alcança-los? E que se considerarmos a União Europeia como um bloco, aí sim os maiores consumidores são eles.

Reproduzo abaixo algumas informações sobre a demanda de café no mundo extraídos de um relatório da The Economist Intelligence Unit (EIU), uma divisão de pesquisas e análises do grupo The Economist, divulgado no início de novembro. Todos os dados de consumo e produção de café são apresentados na forma de sacas de café, cujo padrão é 60 kg.

De acordo com crescimento estimado de 2,6% no ano-safra 2013/14 (outubro-setembro), o EIU prevê um crescimento no consumo global de café, passando de 2,7% na safra 2014/2015 para 3% na safra 2015/2016. O crescimento nos mercados tradicionais permanecerá inexpressivo, já que o crescimento global do consumo privado continua fraco, principalmente na União Europeia, onde as maiores economias estão à beira de uma nova recessão.

Isso será compensado pelo aumento do consumo de café nos mercados emergentes, incluindo os países exportadores. O aumento no consumo de café nos países produtores crescerá, em média, 2,7% ao ano no período de previsão. Embora este crescimento esteja abaixo dos níveis observados em meados dos anos 2000, é notável a mudança de hábitos causada pelo aumento de renda da classe média, que tende a trocar as bebidas mais baratas (como chá) pelo café. É esperado que o Brasil (maior produtor do mundo) alcance o nível de consumo dos Estados Unidos (maior consumidor mundial com cerca de 22,4 milhões de sacas – safra 2013/14) até 2016 (o consumo brasileiro ficou em 21 milhões de sacas no mesmo período).

O mercado asiático irá conduzir a demanda por grãos de robusta. Dada a preferência por cafés solúveis e instantâneos (que geralmente usam robusta, que são mais amargos) no mercado asiático, a demanda será grande para os grãos de robusta mais baratos ao invés das misturas de arábica que são mais caras. A melhoria na tecnologia de processamento dos grãos também permitirá usar maior quantidade de robusta nas misturas de café, mantendo o sabor. No entanto, o consumo de arábica também irá crescer nas economias emergentes (particularmente na América Latina e Europa Oriental), dada a expansão agressiva das grandes redes de cafeterias.

Embora o mercado de cafés nos países desenvolvidos esteja relativamente saturado, com um alto nível de consumo per capita, a expansão de redes de café ainda pode fornecer um impulso à demanda, especialmente na América do Norte. A norte-americana Starbucks tem plano de abrir lojas em formatos diferentes nos próximos dois anos, incluindo grandes pontos de venda para atrair famílias e lojas expressas em áreas urbanas com apelo mais profissional.

Outro fator por trás do crescimento da demanda é o aumento de vendas das máquinas de cápsulas de café individual. Uma pesquisa realizada no início de 2014 pela Associação Norte-Americana de Café (US NCA) constatou que 15% dos entrevistados possuía uma máquina de monodoses em casa, acima dos 12% no ano anterior, e 25% das pessoas disseram que estavam propensas a comprar uma nos próximos seis meses. Enquanto isso, os varejistas estão expandindo sua gama de cápsulas de café para venda (ou mesmo combinando com outros produtos como cápsulas de chá), bem como focando no marketing das máquinas de monodoses.

Estas tendências explicam em parte a previsão para o crescimento do consumo de café em alguns mercados, em particular na União Europeia (UE), que mesmo com uma perspectiva econômica ruim no curto prazo, ainda é positivo. No momento, é esperado que o consumo de café na EU cresça em média 0,3% no período do estudo. A visão para os Estados Unidos é mais positiva (1% no mesmo período), com base no forte desempenho macroeconômico do país e aumento dos níveis de renda.

A demanda no Brasil deverá aumentar apesar do fraco crescimento econômico.

O Brasil é o segundo maior mercado consumidor de café do mundo com 21 milhões de sacas consumidas na safra 2013/14, mas o consumo per capita ainda é modesto (cerca de 1/3 do nível de consumo dos países da Europa), há espaço para um aumento significativo no consumo de café no longo prazo. O principal risco da previsão vem da condição climática adversa desse ano, com o longo período de seca, o que pode reduzir a oferta global de café, levando a um aumento de preços. Assumindo que a economia se recupere um pouco em 2015/16, prevê-se um aumento no consumo brasileiro de 3,5% em média no mesmo período.

Veja a tabela com o consumo de café nos principais países importadores e exportadores e um gráfico mostrando os maiores consumidores.

Consumo de café

Gráfico_consumo de café
Fonte: Organização Intenacional do Café (OIC).

A maior parte dos outros países da América Latina também verá um forte crescimento no consumo de café, sustentada pela expansão de cadeias internacionais de café. Um mercado que atraiu a atenção dos investidores internacionais foi o da Colômbia (terceira maior economia da região), com a Starbucks abrindo sua primeira loja em julho.

Embora o chá seja tradicionalmente muito popular na Rússia, o país também é um grande consumidor de café, representando cerca de 2,5% do consumo global. No entanto, as perspectivas macroeconômicas da Rússia são relativamente ruins e o aumento da taxa de fuga de capitais desde o início da crise ucraniana somado à perspectiva de sanções mais profundas entre a Rússia e o Ocidente estão tendo um sério impacto sobre o consumo privado de café no curto prazo.

A forte demanda na Arábia Saudita ajudará o aumento do consumo no Oriente Médio. Espera-se que o crescimento no consumo de café no Oriente Médio seja sólido no período de previsão, mas haverá tendências divergentes dentro da região. A instabilidade política está prejudicando as perspectivas econômicas em alguns países e é provável que afete o consumo de café.

O consumo de café na Ásia será liderado pelo consumo fora de casa. As redes internacionais de café também irão aumentar seu foco no aumento do consumo de café na Ásia, onde o chá é tradicionalmente a bebida dominante. O consumo de café na China e na Índia – que são ambos pequenos consumidores de café com um número estimado de 640 mil e 1,9 milhão de sacas de 60 kg, respectivamente, em 2012/13, de acordo com a Organização Internacional do Café (OIC) – continuará crescendo. Grande parte do crescimento na China será no consumo fora de casa, refletindo a crescente popularidade da cultura de “coffee-shops” em centros urbanos, especialmente entre os consumidores mais jovens. O número de lojas de café na China mais do que dobrou entre 2007 e 2013, e deverá continuar a crescer acentuadamente, apoiando o crescimento firme do consumo de café.

O sudeste asiático também tem um baixo consumo de café per capita, embora a demanda esteja crescendo rapidamente em determinados países (aqueles que produzem café principalmente, como a Indonésia e Vietnã) e o aumento da renda incentive redes como a Starbucks a anunciar planos para abrir lojas na Indonésia e Filipinas.

A próxima figura mostra um mapa interessante com o consumo de café per capita em 2008 e foi extraída do livro “The infinite emotions of coffee”.

Maiores consumidores de café per capita (2008).
Maiores consumidores de café per capita (2008).

No próximo post falaremos sobre a oferta de café no mundo. Até mais!

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