O pequeno príncipe e a máquina de café

conto cafeinado

Chegava a época das férias de julho em São Paulo. Fazia frio e a diversão eram as festas de São João no meio da rua Conceição Veloso, no larguinho. Fogueira, mãe-da-rua, pião, pula sela, palha ou chumbo, bola de gude e claro, futebol! Muito futebol! Não havia limite para tanta energia. Era um sobe e desce do apartamento e um sobe desce das árvores da caixa d’água!

No meio disso tudo apareceu o “trabalho” na doceria do meu pai. Ficava na praça da República, do lado oposto da Caetano de Campos. Eu tinha 10 anos, pegava o ônibus na rua Vergueiro, então, estreita. Era antes do Metrô.

O ônibus parecia enorme, mas eu ia sozinho da Vila Mariana, até a praça da República. Já era uma aventura ir de ônibus sozinho. Muita gente séria, nem ligavam para um fedelho daqueles, de óculos e gumex no cabelo. Mas eu ia também muito sério, porque ia ajudar meu pai.

A doceria Capri, era seu nome, já era pra mim um universo à parte. Entrada estreita, mas muito comprida, com vários balcões. O da entrada era o dos doces, onde eu trabalhava, vendendo tortas de morango e quindins, que eram os best sellers!

O balcão do fundo tinha a melhor coisa da doceria Capri. Era uma máquina de café italiana, enorme. Foi uma das primeiras em São Paulo. Na frente da máquina, havia uma luz neon verde em toda volta. Era impressionantemente linda. Pelo menos aos meus olhos de menino. Ah sim, eu era tratado como um príncipe, era filho do dono e também falava com todo mundo.

O Tiago, chapeiro, vivia me paparicando e lembro ainda do gosto do Frapê de Coco que ele preparava. Era demais comer todo o sorvete que eu tinha vontade.

Havia entretanto um cheiro, um aroma, uma nuvem que tomava conta da doceria Capri. O cheiro do café era indescritivelmente bom. O paraíso deve ter cheiro de café fresco! Até hoje, o aroma do café fresco resgata todas essas memórias.

Aliás vou para cozinha passar um café, agora mesmo!

Julio Rito – O pequeno príncipe e o café!

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