Curiosidades do Café Especial: O que Você Precisa Saber

Imagine a manhã perfeita: você acorda tranquilo e com o aroma maravilhoso de café recém-passado, mas este não é um café qualquer. Trata-se de um café especial, recém-moído, cultivado em altitudes elevadas, cuidadosamente selecionado e torrado para exaltar suas melhores características.

Hoje em dia o termo “café especial” ou “café gourmet” tem sido cada vez mais difundido e apreciado, pelo maior acesso a cafés de qualidade no mercado brasileiro. Mas, em geral, as pessoas não sabem a diferença na sua classificação, nem entendem o porquê esse tipo de café é tão valorizado.

homem ruivo vestindo uma camisa branca segurando uma xícara de porcelana branca de café, sorrindo

O mundo dos cafés especiais é fascinante e repleto de peculiaridades que vão muito além do simples ato de beber uma xícara de café. Neste artigo, exploramos algumas das curiosidades mais interessantes sobre os cafés especiais, desde a história e a criação de variedades até cafés especiais muito, mas muito diferentes!

As ondas do café

Uma curiosidade interessante sobre os cafés especiais é a terceira onda do café. Cada uma das três ondas trouxe mudanças significativas na forma como o café é produzido, comercializado e consumido. Elas refletem a evolução das preferências dos consumidores e as inovações na indústria do café.

Primeira Onda: café como produto de massa

A primeira onda do café iniciou no final do século XIX e se estendeu até meados do século XX. Este período foi caracterizado pela massificação do consumo de café, tornando-o uma bebida acessível a um público amplo.

O foco estava na produção em larga escala e na distribuição de café em formatos convenientes, como café instantâneo e enlatado. A qualidade do café era frequentemente sacrificada em prol da quantidade. Grãos de menor qualidade eram misturados e torrados intensamente para criar um sabor uniforme, mas amargo.

Grandes marcas dominaram o mercado, promovendo o café como uma bebida cotidiana, associada a conveniência e praticidade. Esta fase foi crucial para popularizar o café, mas a falta de atenção à qualidade criou um produto genérico, sem distinção de sabor ou origem.

Segunda Onda: a cultura das cafeterias

A segunda onda do café começou nos anos 1960 e ganhou força nas décadas seguintes, principalmente com o surgimento de grandes redes de cafeterias como Starbucks (com sua origem em 1971).
O café passou a ser mais do que apenas uma bebida; tornou-se uma experiência social. As cafeterias começaram a oferecer ambientes confortáveis para que os clientes pudessem desfrutar de suas bebidas. Surgiram novas formas de preparar e servir café, como espressos, cappuccinos e lattes, expandindo o leque de opções para os consumidores.

placa escrito CAFE BAR, indicando os antigos cafés criados principalmente nos estados unidos nessa segunda onda do café

Houve um aumento na demanda por grãos de melhor qualidade e métodos de torra mais sofisticados. O café começou a ser visto como um produto premium. Esta onda criou um novo nível de apreciação pelo café, destacando a importância da experiência do consumidor e do ambiente em que o café é consumido.

Terceira Onda: o movimento dos cafés especiais

A terceira onda do café, que começou nos anos 1990 e continua até hoje, representa uma abordagem ainda mais focada na qualidade e na origem do café. Este movimento enfatiza a valorização do café como um produto artesanal, focado em extrair o máximo da sua qualidade.

Os cafés especiais são selecionados com base em rigorosos critérios de qualidade estabelecidos pela Specialty Coffee Association (SCA). Apenas cafés que alcançam uma pontuação superior a 80 em uma escala de 100 são considerados especiais.

Há um forte foco na transparência em todas as etapas da cadeia produtiva. Os consumidores são informados sobre a origem dos grãos, as práticas de cultivo e os métodos de processamento.

Muitos produtores de cafés especiais adotam práticas agrícolas sustentáveis e éticas, com certificações como Rainforest Alliance e UTZ, garantindo um impacto ambiental e social positivo. Devido à atenção meticulosa ao cultivo e ao processamento, os cafés especiais podem apresentar uma ampla gama de perfis sensoriais, incluindo notas frutadas, florais, achocolatadas, entre outras.

Esta “onda” representa um movimento que valoriza a qualidade superior do café e a transparência em todas as etapas da cadeia produtiva, desde o cultivo até a xícara. 
No Brasil, a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) foi fundada em 1991 para promover a produção e a exportação de cafés de alta qualidade. A BSCA desempenha um papel fundamental na certificação e na promoção dos cafés especiais brasileiros no mercado internacional.

A criação de novas variedades do café

A criação de novas variedades de café é um processo complexo e meticuloso que pode levar anos para ser concluído. Este processo envolve a combinação de características genéticas de diferentes plantas de café para desenvolver variedades que sejam não apenas produtivas, mas também resistentes a doenças e pragas, com um perfil sensorial único e desejado pelos consumidores.
Pesquisadores de diversas instituições, incluindo a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), desempenham um papel fundamental nesse desenvolvimento.

A seleção das plantas

Inicialmente, o processo começa com a seleção de plantas de café que possuem características desejáveis, como resistência a certas doenças, produtividade elevada e qualidades sensoriais superiores. Essas plantas são cuidadosamente cruzadas em um processo que pode ser tanto natural quanto assistido. A polinização manual é frequentemente utilizada para garantir que as plantas escolhidas sejam cruzadas de maneira controlada. Após a polinização, os frutos resultantes são colhidos e as sementes são plantadas para dar origem a novas plantas.

pessoa colhendo grãos de cafés vermelhos, planta verde brilhosa e colocando os grãos em um cesto de palha

Testes e ajustes minuciosos

Uma vez que as novas plantas crescem, elas são submetidas a uma série de testes rigorosos para avaliar suas características. Este processo de avaliação pode durar vários anos, pois as plantas precisam ser observadas em diferentes estágios de crescimento e em diversas condições ambientais para garantir que mantêm as características desejadas. Durante esse período, os pesquisadores monitoram de perto a resistência das plantas a doenças e pragas, sua produtividade, e, crucialmente, o perfil sensorial dos grãos de café produzidos.
Após anos de testes e ajustes, apenas as variedades que atendem a todos os critérios rigorosos são selecionadas para produção comercial. Este trabalho é frequentemente realizado em colaboração com instituições de pesquisa agrícola, como a Embrapa, que tem um longo histórico de desenvolvimento de variedades de café, bem adaptadas às condições climáticas e de solo brasileiras. A colaboração com essas instituições garante que as novas variedades de café sejam robustas, produtivas e possuam um perfil sensorial que atenda às demandas do mercado de cafés especiais.

Sustentabilidade no processo

Além disso, é claro que a criação de novas variedades também considera fatores como a sustentabilidade ambiental e a viabilidade econômica para os produtores. Variedades que requerem menos insumos químicos, como pesticidas e fertilizantes, são especialmente valorizadas. Isso não só ajuda a reduzir o impacto ambiental da produção de café, mas também pode aumentar a rentabilidade para os produtores ao reduzir os custos de produção.

Os cafés especiais “exóticos”

O Café Jacu

O Café Jacu é uma especialidade única no cenário dos cafés especiais brasileiros. Este café é produzido a partir de grãos ingeridos e excretados pelo jacu, uma ave nativa das regiões cafeeiras brasileiras. O processo começa quando os jacus, que vivem livres nas fazendas, consomem os frutos maduros do café. Após o processo digestivo, os grãos são coletados das fezes da ave, cuidadosamente limpos e processados.

O processo digestivo do jacu resulta em uma fermentação única, que altera significativamente o perfil de sabor dos grãos. Este processo natural elimina alguns dos compostos amargos encontrados nos grãos de café, resultando em um café com sabores suaves e complexos. Degustadores de café descrevem frequentemente o Café Jacu como tendo uma acidez equilibrada, notas frutadas e um corpo aveludado, tornando-o uma experiência única e requintada.
A produção do Café Jacu é limitada devido à natureza do processo e à necessidade de um ambiente sustentável. As fazendas que produzem este café adotam práticas ecológicas, contribuindo para a preservação da biodiversidade local. Os jacus vivem livremente e ajudam no controle natural de pragas, além de promover a polinização das plantas, criando um ciclo benéfico para o ecossistema.

ave jacu, responsável pelo café famoso no brasil, preta, porte médio, com papo avermelhado e calda longa
Jacu (nome científico: Penelope)

O Kopi Luwak

O Kopi Luwak, originário da Indonésia, é talvez o café exótico mais famoso do mundo. Semelhante ao Café Jacu, ele é produzido a partir de grãos que foram ingeridos e excretados por civetas, pequenos mamíferos noturnos. O processo digestivo das civetas também fermenta os grãos, resultando em um café com notas de chocolate, caramelo e um corpo suave. No entanto, a produção de Kopi Luwak tem sido controversa devido a questões de bem-estar animal, o que destaca a importância de práticas éticas e sustentáveis.

mamífero civeta num galho de árvore, pelo bege claro com manchas pretas e olho marrom, focinho comprido com bigodes e orelhas pequenas
Civeta (nome científico: Civettictis civetta)

Black Ivory Coffee

O Black Ivory Coffee é uma raridade tailandesa, produzido a partir de grãos ingeridos por elefantes. Similar ao processo dos cafés Kopi Luwak e Jacu, os grãos são coletados das fezes dos elefantes após a digestão. O ácido do estômago dos elefantes quebra as proteínas dos grãos, reduzindo a acidez e o amargor do café. Este café é extremamente caro e raro, com produção limitada a poucos sacos por ano.

elefante caminhando, elevando sua tromba ao alto e ao fundo uma grande montanha com rio abaixo

Esses cafés exóticos oferecem uma experiência sensorial única, destacando a diversidade do mundo do café e a importância de métodos de produção sustentáveis e éticos. Seja através do Café Jacu, do Kopi Luwak ou do Black Ivory, cada xícara conta uma história de natureza, tradição e inovação.

Explorar o mundo dos cafés especiais é uma viagem rica em sabores, história e conhecimento. Do cultivo cuidadoso e processos exóticos às complexas notas sensoriais que cada xícara pode oferecer, os cafés especiais representam o que há de melhor na produção cafeeira. 

Convidamos você a se aventurar e descobrir as inúmeras nuances dos cafés especiais, e quem sabe, tornar-se um verdadeiro conhecedor dessa bebida tão apreciada mundialmente. Para isso, temos a ideia perfeita: participe de um CLUBE DE ASSINATURA DE CAFÉS!

No Clube do Grão Gourmet, todo mês você recebe um café especial diferente, com informações de história, origem, dos processos que passa e de quem planta. É a forma mais rápida e deliciosa de tornar-se um expert em cafés sem sair de casa. Junte-se a uma comunidade de cafeinados apaixonados pelos melhores cafés do país!

pessoa passando café em casa, numa mesa de madeira com passador de acrílico e bule de vidro embaixo, na mesa tem duas canecas e um pote de vidro com café em grãos

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