Diferença entre Café Gourmet, Café Especial e Tradicional

Nos últimos anos, o mundo do café tem se expandido significativamente, oferecendo uma gama cada vez maior de opções aos consumidores. O que antes era uma escolha simples entre marcas de café tradicional, agora inclui termos como “gourmet” e “especial” nas prateleiras. Mas com tantas opções, como saber se estamos realmente adquirindo um café de melhor qualidade ou apenas pagando mais por uma embalagem sofisticada?

A falta de informações claras pode dificultar a escolha. Muitas vezes, nos deparamos com embalagens atraentes e preços elevados, mas não entendemos exatamente o que diferencia um café gourmet de um café especial ou tradicional. Cada tipo de café possui características específicas que influenciam diretamente no sabor, aroma e qualidade da bebida, derivadas desde o cultivo até o processamento.

Neste artigo, queremos esclarecer essas diferenças para ajudá-lo a fazer escolhas melhores. Como um Clube de Cafés Especiais, temos um profundo conhecimento sobre seus produtores e suas peculiaridades. Sabemos que o café é uma das bebidas mais consumidas e acreditamos que todos brasileiros deveriam ter acesso a produtos de alta qualidade.

Nosso objetivo é proporcionar a você, amante de café, uma compreensão completa para que possa tomar decisões melhores na hora de escolher seu próximo pacote de café.

ABIC e o Programa de Qualidade do Café

logomarca da ABIC na cor de azul escuro, Associação Brasileira da Indústria de Café

Em 2004, a ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café) lançou o Programa de Qualidade do Café (PQC), visando mudar a percepção do consumidor sobre a uniformidade dos cafés. O programa tinha como objetivo principal aumentar a quantidade e qualidade do café ofertado, baseando-se na ideia de que um consumidor satisfeito consome mais.

O PQC estabeleceu padrões de qualidade da matéria-prima, sabor consistente ao longo do tempo e boas práticas de fabricação. Serviu como ferramenta de aperfeiçoamento para as torrefações, garantindo a qualidade e a consistência do café em todos os lotes produzidos.

Como único programa de certificação do produto final, o PQC consolidou-se como elo de confiança entre a indústria e os consumidores, permitindo que estes identifiquem e escolham o sabor de café que mais lhes agrada.

O PQC categoriza cafés em três níveis de qualidade: Tradicional, Superior e Gourmet, com base em notas de 0 a 10. A categoria é determinada pela pontuação final: Tradicional (4,5 a 6), Superior (6 a 7,2) e Gourmet (7,3 a 10). O especial não entra nessa classificação, pois possui um sistema próprio, de 0 a 100 pontos, que falaremos em seguida.

Cinco selos de certificados de pureza e qualidade de ABIC: tradicional, extraforte, superior, gourmet e especial.
certificados emitidos pela ABIC que podemos encontrar nas embalagens de cafés no mercado.

Vamos conhecer melhor os cafés tradicional, gourmet e especial?

Café Tradicional

O Café Tradicional é amplamente consumido no Brasil e é conhecido por seu custo acessível e sabor forte. Produzido principalmente a partir de grãos da espécie Coffea canephora, popularmente conhecida como Robusta, este café é cultivado em altitudes mais baixas e processado de maneira menos rigorosa.

O cultivo do café tradicional geralmente ocorre em uma escala enorme, o que impede um cuidado minucioso tanto com o cultivo em si quanto com o processamento dos grãos. Isso resulta em uma qualidade inferior, já que todo o processo é menos preciso.

Durante a colheita e processamento, é comum que grãos defeituosos, como grãos verdes ou já passados, além de impurezas, acabem misturados. Por isso, esses grãos passam por uma torra muito forte, resultando em um café preto, ao contrário do café de alta qualidade, que possui uma cor âmbar ou marrom devido a uma torra equilibrada.

Comparação do café passado especial e tradicional
comparação do nosso café passado na esquerda, com cor âmbar – marrom e o café tradicional de mercado, escuro devido à torra

Características principais:

  • Sabor: amargo e forte.
  • Aroma: menos complexo e pouco aromático.
  • Cultivo: em altitudes mais baixas, com práticas agrícolas básicas.
  • Processamento: focado na produção em massa.
  • Preço: em média R$35-50 o quilo.

O café tradicional não tem nenhum tipo de classificação ou pontuação, apenas as marcas podem ter o selo de pureza da ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café) que indica normalidade e qualidade frente aos demais cafés tradicionais.

Este tipo de café é para quem busca uma bebida mais barata, forte e que não tem muita preocupação com o sabor e aroma. Além disso, a falta de um controle rigoroso na produção e o uso de grãos de menor qualidade resultam em uma bebida menos pura.

Café Gourmet

Os Cafés Gourmet são conhecidos por sua maior qualidade e sabor refinado. Eles são geralmente produzidos a partir de grãos da espécie Coffea arabica, cultivados em altitudes elevadas, o que contribui para uma maior complexidade de seus sabores. O processo de cultivo e colheita é mais cuidadoso, com uma seleção mais rigorosa dos grãos. No entanto, é importante notar que muitos cafés se intitulam “gourmet” sem possuir certificação que comprove essa qualidade superior, então busque pelo selo e não se deixe enganar.

Além disso, atente-se a algo importante: Geralmente, os cafés gourmet e os tradicionais passam por uma torra muito forte. Inclusive, ao comprar esses cafés em grãos, você pode notar uma aparência preta e brilhosa. Isso indica que os óleos naturais do grão já foram saturados, isso é um processo que ocorre em altas temperaturas. Essa torra excessiva promove um maior amargor e faz com que a gordura natural presente no grão perca o sabor muito rapidamente, podendo resultar em uma bebida com sabor de “rançoso”.

grãos de café torrados e brilhosos, relatando na prática que quando o café é excessivamente torrado, satura os óleos presentes nos grãos

Características principais:

  • Sabor: equilibrado e complexo.
  • Aroma: intenso e agradável (varia muito de acordo com sua torra).
  • Cultivo: em altitudes elevadas, com práticas agrícolas avançadas.
  • Processamento: cuidadoso e rigoroso.
  • Preço: em média R$50-65 o quilo.

Café Especial

Os Cafés Especiais representam o ápice da qualidade no mundo do café. Eles são submetidos a um rigoroso controle de qualidade desde a seleção das variedades e seu cultivo até a xícara, passando por diversas etapas de avaliação. Existem muitos mitos e verdades em relação a ele, mas hoje você vai compreender o porquê desse café ser tão “especial”.

Somente os grãos que alcançam uma pontuação superior a 80 pontos em uma escala de 100 podem ser considerados especiais.

Classificação

A classificação dos Cafés Especiais é realizada mundialmente pela Specialty Coffee Association (SCA), que aqui no Brasil conhecemos como BSCA.

Ela utiliza critérios rigorosos para avaliar a qualidade dos grãos. Essa avaliação inclui testes de sabor, aroma, corpo e acidez. A seleção dos grãos é minuciosa, garantindo que apenas os melhores sejam utilizados. São colhidos manualmente ou com o auxílio de maquinário, mas durante ou depois da colheita são selecionados apenas os grãos perfeitos, evitando aqueles que estão verdes, passados ou com defeitos.

Torra Equilibrada

A torra dos cafés especiais é equilibrada, permitindo que os sabores e aromas naturais dos grãos sejam realçados. Diferente dos cafés tradicionais e gourmet que são frequentemente torrados em altas temperaturas, os especiais passam por uma torra cuidadosa que preserva suas características intrínsecas. Isso resulta em uma bebida de cor âmbar ou marrom, rica em nuances de sabor.

café moído especial comparado com o tradicional, o primeiro é claro e uniforme, enquanto o segundo é excessivamente torrado
Comparação dos cafés especial e tradicional já moídos

Exemplos de cafés especiais

Um bom exemplo de café especial é o que vem da região da Alta Mogiana em São Paulo ou Cerrado Mineiro em Minas Gerais, duas das mais famosas do país. No Brasil temos diversas regiões produtoras de cafés especiais da melhor qualidade.

Características principais:

  • Sabor: extremamente complexo e variado, com notas que podem incluir frutas, chocolates, flores e especiarias.
  • Aroma: rico e cativante.
  • Cultivo: em regiões específicas com altitudes elevadas e microclimas ideais.
  • Processamento: extremamente rigoroso, com atenção a cada detalhe.
  • Preço: R$70-130 o quilo.

Assim como não aceitamos impurezas em outros alimentos que compramos, não deveríamos aceitar no café. A pureza e a qualidade dos grãos são essenciais para uma experiência de café verdadeiramente satisfatória, além de garantirem benefícios para a nossa saúde.

Escolher o café certo pode transformar sua experiência com essa bebida tão querida e cotidiana. Ainda mais, se você for um apreciador da bebida, pode criar formas para entender ainda mais e avaliar seus cafés especiais em casa.

E claro, gosto é uma questão pessoal e não se discute. Muitas pessoas beberam café tradicional a vida toda e estão felizes com isso. Mas, se experimentarem o café especial, vão reconhecer que a qualidade deles é inegável. 

mulher feliz, sentada em cafeteria, degustando um café

Se você nunca bebeu um café com mais de 80 pontos, convidamos-lhe a experimentar os cafés especiais. Deixe a imagem do café preto e amargo de lado e aventure-se pelos cafés mais claros e puros, repletos de sabores e aromas complexos.

Aqui no Grão Gourmet, de gourmet só temos o nome, pois nossos cafés são todos de categoria especial. Entre no nosso CLUBE e receba mensalmente um café especial diferente! Junte-se a nós e transforme sua rotina de café em um momento especial.

24 thoughts on “Diferença entre Café Gourmet, Café Especial e Tradicional

  1. Ivis says:

    Boa Tarde … amo café , não consumo açucar, e meu Pai é diabético, gostaria de saber se o Café Gourmet é indicado ?

    • srovarotto says:

      Oi Ivis boa tarde, pode provar nosso cafés tranquilamente pois feitos com grãos de alta qualidade e torra mais branda, assim não tem aquele amargor dos cafés tradicionais.
      Um abraço.

  2. Maria Elienai Luiz Correia says:

    Excelente a matéria. Depois que comecei a entender da qualidade do café já na torra passei a consumir um café torrado chocolate claro e posso sentir a doçura do café e suas notas.

  3. NILSON HANKE CAMARGO says:

    Compro café Especial diretamente do produtor no Paraná. Café excelente. É de Curiúva e o nome do produtor é Márcio BB oraneli.

  4. Cláudio Simão says:

    Ótima matéria, esclareceu muitas coisas, mas ainda tenho algumas dúvidas. Pelo que entendi a torra média clara preserva mais o sabor do café, pois mantém o doce natural dele, é isso? Sei que devemos tomar o café puro, mas ainda coloco uma gota de adoçante. Qual o café ideal para me acostumar a deixar de adoçar? E quanto a moagem, devo usar fina ou média para fazer um bom espresso (com grãos)?

    • Renata Kurusu Gancev says:

      Olá Cláudio! Tudo bem?
      O café tem açúcares natural no grão (semente) e quanto mais você torra, mais açúcar ele consome, portanto, o café fica mais amargo quanto mais escura a torra. Por isso a torra média-clara deixa a bebida mais suave e doce, por isso indicamos para quem quer tomar café sem açúcar. Mas pode provar a torra média também, que é um tom mais escura apenas e não tem amargor. Tenta largar o adoçante, pois não faz bem para a saúde. Para fazer um bom espresso, sugiro que você teste algumas moagens diferentes na sua máquina e veja qual resultado lhe agrada. Como é um método de extração rápido, quanto mais fino, vai extrair mais compostos do café, mas não pode ser tão fino para não entupir o filtro.
      Abraços, Renata

  5. Rodrigo Márcio Rigo says:

    Bom dia. Sou apreciador de café e também produtor de café especial. Gostaria de ajudá-los a trocar esse paradigma de que café especial tem que ser 100% arábica. O que torna o café especial são os processos de colheita e pós colheita. Se quiserem experimentar um canephora de qualidade superior, posso enviar. Grande abraço.

    • Renata Kurusu Gancev says:

      Oi Rodrigo, tudo bem?
      Adoraria experimentar sim! Realmente, existem cafés canephora de qualidade superior.
      Um abraço, Renata

  6. Maria Helena Silva says:

    Sou assinante e uma amante de cafés, os sabores são realmente diferentes, aquele amargo da torra até o final não tem… indico e recomendo a todos que conheço que assim como eu gostam de um BOM café….

  7. José Arthur says:

    Sempre gostei de café, faço um café Pilão muito bom, forte e equilibrado no açucar. Agora que eu to pegando o jeito do arábico. Percebo que se colocar açucar, estraga o café, tem que ser sem açucar, ou um açucar de beterraba, que é bem suave. To tendo que reaprender a tomar café. No café da manhã gosto do meu tradicional Pilão, e ao longo do dia, to gostando de moer meus cafés premium, e descobrindo qual melhor granulação da moagem, cafés. Aos pouquinhos to aprendendo. kkkkk

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