É possível fazer café sem utilizar os grãos?

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O café é a bebida mais consumida no mundo, depois da água in natura.

Ele é preparado a partir dos grãos torrados (semente do fruto do cafeeiro, que é um arbusto) e depois moídos, que podem ter moagens diferentes para cada método de preparo (filtrado, espresso, prensa francesa etc.).

Mas será que é possível fazer café sem utilizar a matéria-prima principal, que são os grãos de café?

Dois americanos, um cientista e outro empreendedor, afirmam que sim, é possível fazer café sem utilizar os grãos.

A origem do café

Não existem registros oficiais sobre a origem do café. Sabe-se, entretanto, que se trata de uma planta nativa das regiões altas da Etiópia (Cafa e Enária).

Segundo uma das lendas, foi um pastor etíope, denominado Kaldi, quem percebeu que havia algo diferente nas plantas da região. Ele havia alimentado suas cabras com arbustos e folhagens que tinham um fruto amarelo-avermelhado e notou que os animais ficaram mais animados e com energia, a medida em que mastigavam os frutos.

Alguns registros afirmam que o consumo de café começou por volta de 575 d.C. – mesma época das lendas sobre a origem do café -, nessa época os etíopes alimentavam-se do fruto. Aparentemente, a polpa era consumida nas refeições. Ela era macerada ou misturada em banha. Com os frutos também faziam suco, que fermentado se transformava em bebida alcoólica. Suas folhas também eram mastigadas ou utilizadas no preparo de chá.

Como fazer café sem os grãos?

O café é uma bebida consumida há muito tempo e não existe outra forma de fazê-la sem utilizar os grãos de café.

Mas o cientista de alimentos Jarret Stopforth conseguiu criar um café “molecular”, sem a utilização dos grãos.

Primeiro, ele analisou todos os compostos moleculares existentes em uma xícara de café e usou esse modelo para criar a xícara de café perfeita sem utilizar os grãos.

Ele se juntou ao empreendedor Andy Kleitsch para fundar a empresa chamada Atomo – Molecular Coffee, que fica em Seattle, que promete criar cafés com perfis de sabores e aromas mais gostosos, como os cafés especiais, a partir de compostos encontrados em ingredientes naturais, como antioxidantes, flavonoides e ácidos clorogênicos. Mas eles não revelam quais são esses ingredientes.

O café produzido pela Atomo é moído e pode ser usado em cafeteiras elétricas, filtros diversos, Aeropress, prensas e cafeteiras italianas. No expresso ainda não.

Atomo Coffee

Como surgiu a ideia?

Existem algumas projeções de que a demanda por café em 2050 pode ser o dobro que é hoje (165 milhões de sacas de café em 2018), impulsionada principalmente por países tradicionalmente consumidores de chás que estão consumindo mais café, como China e Japão.

Só que nesse mesmo período estima-se que a produção de café no mundo não acompanhará essa demanda, principalmente pelo aquecimento global, que deve reduzir pela metade as áreas de cultivo de café, se nada for feito para reverter esse problema.

Ou seja, não haverá café suficiente para todos.

Com isso em mente, surgiu a ideia de criar o café molecular Atomo.

Eles transformaram uma garagem em Seattle em um laboratório, onde analisaram grãos de café verdes e torrados utilizando uma técnica de cromatografia líquida de alta eficiência para separar mais de mil compostos do café.

O produto original era um líquido que eles fizeram em pequenas baterias na garagem. Em um teste cego feito na Universidade de Washington a bebida teve boas avaliações entre os alunos.

Hoje eles têm no ar uma campanha de financiamento coletivo no Kickstarter que já arrecadou US$ 25 mil (US$ 10 mil era objetivo) para vender uma primeira versão do café moído no quarto trimestre de 2019. Eles pretendem colocar a marca nos mercados americanos em 2020.

A bebida pode ser chamada de café, pois não há um padrão de identidade oficial da Agência Federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA – Food and Drug Administration.

E você, o que acha desse café molecular? Seria o futuro? Escreva nos comentários!

 

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Fontes:

Atomo

The Spoon

Revista Galileu

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