Foto de perfil de Mariana ProençaSe você sabe alguma coisa sobre café hoje, provavelmente você leu, ouviu ou participou de algum evento produzido pela jornalista Mariana Proença. Ela, que completa 10 anos na Café Editora em 2016, se desdobra em diversas atividades em nome do amor ao café. Além de ser diretora da Revista Espresso, responsável pelas reportagens/entrevista, ela também organiza e faz curadoria das palestras do maior evento de café do Brasil: Semana Internacional do Café, que acontece todo ano em Belo Horizonte.

“Já foram 50 edições produzidas da Revista Espresso desde que entrei. Participo muito dela desde a definição da pauta até escrever textos, ainda sou repórter, vou a campo, participo muito. É o meu xodó e o projeto que tenho paixão enorme em fazer”, conta Mariana.

ela também coordena outras publicações como best seller Guia do Barista do autor Edgard Bressani, que já está em sua quarta edição. “Ele é um sucesso de vendas e foi pioneiro, em 2007, ao trazer de forma bem objetiva as informações para esse novo profissional da época”, explica.

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O livro 101 Razões para Tomar Café do Dr. Darcy Lima também teve dedo da jornalista. Segundo ela, esse foi um projeto intenso, pois foi necessário editar décadas de trabalho do pesquisador. “Infelizmente ele sofreu um derrame no dia que aprovamos o livro com ele e não pudemos fazer uma noite de autógrafos para o lançamento do projeto. Mas ele pode ver o resultado e fico muito feliz de ter tido esta oportunidade”, afirma.

Café para mim é chama de vida. É o que dá a energia para organizar as ideias, manter a cabeça no lugar e seguir em frente. Sem o café o mundo certamente seria mais triste, vagaroso e sem brilho nos olhos”, Mariana Proença.

capas de duas edições diferentes do livro Guia do BaristaApreciadora do grão desde pequenininha, o café surgiu sem querer em sua vida. “Admito que não conhecia nada sobre o produto, como era cultivado, onde, em quais regiões. Não tinha informação sobre o mercado. Passei a conhecer depois que entrei na Café Editora e precisei escrever sobre o tema”, explica. Apreciadora dos coados desde criança, a bebida era item obrigatório após os almoços de domingo em família. “Minha lembrança mais afetiva é a família toda sentada à mesa depois de comer conversando com um café. Isso eram horas e horas, depois uma música, pois meus pais, tios, tias e avós e avôs sempre gostaram de tocar violão, cantar e o café permeava tudo isso”, conta.

Seja na vida pessoal ou profissional, o café cravou sua marca na vida de Mariana Proença e isso se reflete em tudo que ela toca. Para resumir esses 10 anos dedicados profissionalmente ao café, compartilhamos abaixo nossa conversa com a jornalista.

Café na mão e boa leitura!

Como foi o começo na Café Editora?
Meu começo na Editora foi bem por acaso. Eu trabalhava como jornalista na revista Almanaque Brasil, publicação voltada à cultura brasileira, com o artista gráfico Elifas Andreato. Estava há quatro anos lá e resolvi mudar. Comecei a procurar oportunidades e enviei currículo para a Café Editora.

Na mesma época, o Caio [Caio Alonso Fontes, Diretor de Planejamento] e o Marcão [Marcos Racy Haddad, Diretor Comercial] estavam procurando uma pessoa com o meu perfil para trabalhar na Espresso. Foi tudo muito positivo para que, no início de 2006 eu começasse a trabalhar com eles. Não nos conhecíamos, eu não conhecia de café, mas nos demos muito bem. Nesse mesmo ano eles já tinham o projeto de começar a primeira feira de cafés especiais, o Espaço Café. Entrei um pouco antes e ainda consegui contribuir com a organização das primeiras palestras, dos primeiros workshops e entender mais sobre o mercado. Já se foram 10 anos completados recentemente e a sensação de que fomos muito produtivos até aqui.

Mariana Proença, diretora Café EditoraQuais foram os principais desafios no começo?
Falar de café de qualidade foi o principal desafio. Definir o que era café de qualidade para um consumidor novo, tradicional aos seus hábitos de tomar café de baixos atributos e muito amargo, adstringente, sempre foi e ainda é o maior desafio.

Além de conhecer sobre o tema, descobrimos que havia diversas “regras e verdades” na parte técnica do café que eram questionadas meses depois. Ao escrever sobre café, a gente sempre precisa desconfiar, checar muitas vezes, falar com pessoas diferentes. Só dessa forma foi possível debater um tema tão novo, que mudava e muda a todo o tempo.

Outro desafio foi ganhar credibilidade no início. Poucas pessoas queriam nos atender para uma entrevista. A revista não era conhecida, as pessoas desconfiavam de todos nós por sermos jovens e aqueles que já estavam no mercado há muitos anos olhavam com desconfiança. Aos poucos fomos mostrando, por meio do trabalho, das entregas, dos resultados da publicação, que era possível estar todos juntos no mesmo barco remando por um mercado de café melhor.

Como era o cenário do café na época?
Quando comecei em 2006, não se falava de café de qualidade em rodas de amigos, ninguém entendia muito que tipo de café estávamos falando, onde encontrar. O cenário era de rumores da chegada da Starbucks no Brasil, por exemplo, o que muitos viam como uma ameaça ao mercado interno ao mesmo tempo que era um grande investimento internacional. Chegava também a Nespresso nessa época, as tais cápsulas que ninguém sabia muito bem como funcionava etc.

E cafeterias como Lucca, Suplicy, IL Barista, Café do Porto já estavam há alguns anos no mercado trazendo o tema do café gourmet, como chamávamos na época para diferenciar do café do dia a dia. Era possível comprar somente café torrado e moído, grãos eram vendidos somente em cafeterias e tinha que ser pedido na hora, pois não era algo oferecido comumente.

Com a chegada de máquinas super automáticas modernas foi possível oferecer cafés em grãos em supermercados em pacotes de 1kg, que eram os mais comuns. A maioria das marcas trabalhava com pacotes enormes. Pacote pequeno de 250 g é algo também relativamente recente. Depois de alguns anos, já em 2010, começaram a surgir muitas outras cafeterias em todo o Brasil com o foco na qualidade do serviço, métodos de preparo (que eram limitados ao espresso nas cafeterias e variações com leite e drinques).

Qual é o seu sonho para o mercado do café?
Que as pessoas possam tomar cafés melhores naturalmente, sem amarras, sem obrigações. Só porque sentirão mais prazer em estar com aquela xícara mais saborosa dentro de casa, no restaurante ou na cafeteria.

Como você o mercado do café nos próximos cinco anos?
Veja os produtores e produtoras mais fortes, com mais conhecimento, sabendo vender melhor seu produto e com mais voz. Também vejo mais empreendedores e empreendedoras abrindo seus negócios de café, mais restaurantes saindo da inércia e servindo cafés de qualidade. Tudo isso vai acontecer muito rápido, pois o consumidor vai atrás de saber qual produto ele está tomando.

Vai crescer o turismo nas fazendas, as cafeterias em fazendas, a venda direta de café do produtor para o turista e as cápsulas vão continuar crescendo muito também para aqueles que querem praticidade.Espero muito que as mulheres estejam também mais presentes em todas as áreas, pois foram elas também as grandes responsáveis por muitas mudanças e evoluções desse mercado ao longo desses últimos 10 anos.

Fred

O Fred é estudante de engenharia ambiental na USP, e no Grão Gourmet ele é responsável por toda a parte de Marketing. Esse é o primeiro trabalho dele escrevendo ativamente, mas ele adora, e faz com muito cuidado e carinho!

3 thoughts on “Mariana Proença, a mulher por trás da Café Editora

  1. Simone A Dias Sampaio Silva says:

    Mariana, parabéns pelos trabalhos com café. Precisamos de pessoas engajadas como você para divulgar o belíssimo produto que temos nas diversas regiões produtoras, e os trabalhos árduos dos cafeicultores que se desdobram para oferecer o melhor na xícara. Obrigada

  2. Diná Marques says:

    Boa noite. Moro em Portugal e gostaria de saber o preço e onde posso adquirir o livro Guia do Barista da origem do café ao espresso perfeito. Obrigada.

    • Renata Kurusu Gancev says:

      Oi Diná! Tudo bem? O preço do livro Guia do Barista é R$ 60,00. O frete do Brasil para Portugal pelos Correios fica em torno de R$ 80,00. Será que você não encontra em alguma livraria ou site daí? Um abraço, Renata

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