O clima esquentou e já começou a alterar a produção das lavouras em muitos lugares do mundo. Uma delas é a do café, que sentiu os efeitos da estiagem no Brasil nas últimas safras e justamente na fase mais importante para a planta, que é a floração e o enchimento dos grãos.

O perigo dos efeitos do aquecimento global a longo prazo pode recair sobre as colheitas, que se tornarão menos fartas. Por tabela, o cafezinho do dia a dia pode ficar mais caro, menos saboroso (já que as condições agronômicas serão diferentes para o desenvolvimento da plantação) e talvez menos frequente nas mesas.

O pesquisador Hilton Silveira Pinto, diretor do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp, já fez o alerta de que a produção de café no país migre para o Sul. “O café brasileiro deverá ser produzido nos próximos anos no Paraná e em Santa Catarina”, informa.

Segundo ele, a tendência é que a lavoura se estabeleça em temperaturas mais propícias para o florescimento da planta. No período de florescimento do café, quando os botões se tornam grãos, a planta não pode ser submetida a temperaturas acima de 32ºC. “Mas o registro de temperaturas superiores a isso tem ocorrido com frequência na região cafeeira de São Paulo”, comenta o pesquisador.

Andança das lavouras
Não é apenas o café, porém, que já sente os reveses do clima. Soja, milho, arroz e feijão também são alguns deles. A preocupação com o setor agrícola, importante para a economia do país, proporcionou a elaboração do documento “Brasil 2040 – Alternativas de Adaptação às Mudanças Climáticas” feito em parceria por diversos grupos de pesquisa e encomendado pela Secretaria de Estudos Estratégicos da Presidência da República (SAE).

A meta do trabalho é entender como o clima pode afetar o Brasil no futuro e servir como ferramenta para embasar políticas públicas de adaptação nas áreas da saúde, recursos hídricos, energia, agricultura e infraestrutura. A conta da migração das lavouras para outros Estados (não significa uma adaptação plena) e das perdas na produção atual de grãos alimentícios foram calculadas em US$ 4 bilhões.

Você já havia pensado que as mudanças climáticas podem alterar hábitos tão arraigados a nossa cultura, como a do café de todo o dia?

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