Mulheres do café

Luiza araujo miranda foto cafezal

Dia 8 de março é celebrado o Dia Internacional da Mulher.

Aproveitamos essa data que conscientiza para a igualdade social, política e econômica das mulheres, para falar sobre mulheres na cafeicultura.

Elas já estão encarando a dupla de jornada de trabalho há décadas. Enxada na mão durante o dia, cuidados da família e casa no tempo livre.

Elas já correram no meio da madrugada para cobrir os cafés no terreiro quando a chuva surgiu repentinamente, colocavam as crianças embaixo do pé de café para capinar uma rua do talhão e muitas vezes levantavam mais cedo para preparar a marmita do marido que ia para roça com ela.

Historicamente, contudo, sua voz não foi ouvida. Sua opinião ignorada.

“É como se a gente nunca existisse na cafeicultura”,

desabafa a ex-presidente do IWCA Brasil, Josiane Cotrim, em entrevista Encontro Internacional das Mulheres do Café, International Women’s Coffee Alliance, em 2015 em Bogotá.

mulheres do café
Logo da Aliança Internacional das Mulheres do Café – Brasil

Relatórios internacionais não citaram a presença da mulher na cafeicultura brasileira e líderes de organizações do mercado são, em sua maioria, homens.

Essa realidade, porém, está mudando gradativamente não somente no Brasil, mas também em outros países produtores. Elas estão se organizando em cooperativas, associações e estão fazendo alianças para se qualificarem e aumentarem suas redes comerciais. Segundo a ex-presidente do IWCA Brasil, Brígida Salgado, o objetivo de se organizar é dar visibilidade à mulher que está no segmento café, seja na produção, seja na indústria, na comercialização, seja na cafeteria. A questão é mesmo de gênero.

“Queremos formar uma rede interativa onde possam ser feitos negócios entre essas mulheres”, explica.

O IWCA é uma organização sem fins lucrativos com boa representatividade no cenário internacional por ter força em diversos países produtores e compradores de café. A iniciativa partiu de um grupo de norte-americanas envolvidas na indústria cafeeira durante uma visita às lavouras da Nicarágua em 2003.

A proposta deu certo e, com dezoito anos de história, já conta com a adesão de produtoras da própria Nicarágua, Guatemala, Costa Rica, El Salvador, República Dominicana, Colômbia e Burundi (localizado na parte central da África). Aqui no Brasil, a IWCA chegou em 2011 e já conta com mais de 100 membros comprometidos a fazer a diferença em nosso país de dimensões continentais.

IWCA BRASIL

As mulheres da IWCA Capítulo Brasil (Brazilian Chapter) já podem celebrar muitas conquistas. Seus cafés foram representados em eventos nacionais e internacionais, treinamentos e capacitação em toda extensão nacional foram feitas e negócios foram fechados. Para melhor atender os interesses distintos de cada região, foram criados sub-capítulos.

mulheres do café
Foto do 1º encontro do IWCA Brasil em 2011

De acordo com o relatório anual do IWCA Brasil, já estão formalizados nove sub-capítulos: Sul de Minas, Matas de Minas, Mantiqueira, Cerrado Mineiro, Chapada Diamantina, Norte Pioneiro do Paraná, Campo das Vertentes, Espírito Santo, Rondônia e o subcapítulo São Paulo está se organizando. “Eles são autônomos em suas estratégias de ações, suas lideranças e geral participam da Diretoria da IWCA Brasil, tendo assim uma consonância de atividades conjuntas”, descreve o relatório.

Entre essas bravas guerreiras, pode-se encontrar um perfil bem variado. Produtoras de agricultura familiar, torrefadoras, baristas e mulheres das áreas de pesquisa, da UFV e da UFLA. “Temos mulheres de várias faixas etárias e de todos os estados produtores. E isto é muito rico, pois a troca de experiências e de vivências é muito grande”, explica Brígida.

Perfil: Luiza Araújo Miranda

Luiza e família

A história da Luiza e sua família no café começou há algumas décadas. Seus avós moravam no sítio que hoje é dos seus pais, que nasceram e foram criados no meio do cafezal. Quando seu avô faleceu, o pai começou a se dedicar mais aos cafés e foi em 2004 que ele percebeu que os cafés produzidos ali eram diferentes.

Mas foi em 2010 que foram apresentados para o concurso da Illy e desde então passaram a focar na produção de lotes especiais para concursos como esse, BSCA (Associação Brasileira de Cafés Especiais), Florada e da SIC (Semana Internacional do Café).

A Luiza foi fazer faculdade de odontologia em outra cidade, no interior do Rio de Janeiro, ficou lá 2 anos e resolveu voltar para perto da família, pois estava infeliz. E foi no sítio, na produção de cafés, que ela se encontrou e se dedica de corpo e alma. Ela e o irmão se apaixonaram por essa cultura vendo o carinho e o amor do pai, e hoje eles se dedicam à produção de cafés especiais. Atualmente a Luiza faz faculdade de contabilidade e pretende se especializar em contabilidade rural.

Produzir um café especial não é simples e fácil, principalmente cafés de montanha, que requerem um trabalho manual, desde o plantio até a colheita. A Luiza costuma dizer:

Não fazemos cafés especiais, o café é especial desde a fruta, nós apenas cuidamos até chegar ao consumidor final.

Nós perguntamos à Luiza como é ser uma mulher na cafeicultura e ela respondeu:

Ser mulher e estar no campo não é fácil. Muitos olham e pensam que mulher não sabe nada de roça, só vai no sítio para tirar foto. Mas quem vive da cafeicultura sabe que não é assim, o café requer muito cuidado, de domingo a domingo. Durante a safra não pode ficar um dia sem mexer, mas no final tudo se ajeita!

Como homenagem ao Dia Internacional das Mulheres, nós do Grão Gourmet selecionamos o café da Luiza, do sítio Bocaina para enviar aos nossos assinantes no mês de março e aproveitamos para parabenizar todas as mulheres do café.

Quer receber o café da Luiza em casa?

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8 thoughts on “Mulheres do café

    • Admin says:

      Oi Inês, tudo bem? Que bom que gostou do post, estas mulheres do café são realmente inspiradoras. Se quiser saber mais, entre no site do IWCA Brasil e o internacional também, para ver todas as trabalhadoras do mundo inteiro que estão na cadeia do café. Estamos engajados nesse movimento e vamos publicar todas as novidades. Um abraço, Renata

  1. Cristina de Oliveira Souza says:

    Sou produtora do Sub-capítulo Norte Pioneiro do Paraná…e tenho 1 ha. de café como UDR Unidade de Referencia Demonstrativa no Município de Pinhalão,um projeto da EMBRAPA em parceria com a EMATER e IAPAR gostei da postagem, parabéns Josiane e Brígida pelo belo trabalho junto à IWCA.

    • Renata Kurusu Gancev says:

      Oi Cristina, tudo bem? Obrigada pelo comentário. Bom ver uma produtora por aqui 😉 Aliás, estou querendo comprar um café no Norte Pioneiro do Paraná, se tiver um lote bom na sua fazenda, avise-nos! Um abraço, Renata

  2. ANA CLAUDIA SWERTS DE OLIVEIRA says:

    Sou produtora sem nenhuma experiência pois herdei do meu país há 3 anos. Gostaria de informar de cursos e profissionalizar. O que fazer?

    • Renata Kurusu Gancev says:

      Oi Ana, tudo bem? Em que região você está? Sugiro entrar em contato com alguma cooperativa da região, eles podem ajudá-la. Você também pode procurar a Embrapa, algum sindicato de café na sua região. Um abraço, Renata

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