Você é cafeicultor ou trabalha com cafeicultura e não tem ideia do que é operação de hedge?! Tem dúvidas sobre como funcionam algumas ações da Bolsa de Valores e como o café é negociado por lá? Não tem problema!
Para deixar tudo em pratos limpos, chamamos o Boris Gancev que tem mais de 10 anos de experiência em gestão de risco para cafeicultura para explicar de forma descomplicada. Ele, que também é o proprietário do Grão Gourmet, inaugura hoje uma série especial de posts que vão desmistificar as movimentações da bolsa de valores.

Portanto, respondendo o título do post… hedge? O que é isso?
Calma, vamos lá, a palavra inglesa hedge significa “proteção” e é largamente utilizada pelo mercado financeiro para designar operações que visam diminuir a volatilidade do resultado financeiro de uma determinada atividade.

Ainda não entendeu? Sem problemas, vamos a um exemplo prático. Imagine que você compre um carro novo por R$ 50 mil, mas gostaria de se proteger financeiramente contra o risco de uma colisão ou de ter seu veículo roubado. O que você faz? Se você pensou em um seguro, ACERTOU. O seguro nada mais é do que um hedge financeiro contra a perda do seu veículo.

hedge

Esse mesmo conceito pode ser estendido para a atividade cafeeira. Para se proteger de possíveis oscilações de preços determinados pela bolsa de Nova Iorque, os produtores podem optar por alguns formatos de “seguro” (hedge) para ter garantias de preços ao longo do ano.

Vejamos alguns exemplos:
1) Operações de troca por insumos (barter)
É uma operação bem simples. O produtor recebe hoje os insumos (dinheiro) que vai utilizar no campo e efetua o pagamento depois que colher o café, entregando uma parte da safra. Nessa modalidade o produtor fica com uma dívida em café, ou seja, se o preço subir ou descer a dívida do produtor não muda: são x sacas de café.

Além de cobrir uma parte do custo de produção (fertilizantes e defensivos representam quase 30% do custo de produção), a operação de barter funciona como um hedge (seguro) para o produtor fixar o preço da saca antes do momento da venda. Muitas cooperativas oferecem esse tipo de operação.

2) Venda a termo
É um contrato onde o produtor define o preço e a quantidade hoje, mas a entrega e o pagamento acontecem em uma data futura. Por exemplo: um produtor vende hoje 1 mil sacas de café por 450 reais/saca com entrega e pagamento previstos para Setembro de 2016. Pode ser que em setembro a cotação esteja acima ou abaixo de 450, no entanto o valor da negociação já havia sido definido entre as partes previamente.

Esse tipo de contrato, assim como a operação de troca, envolve aprovação de crédito entre as partes relacionadas.

3) Seguro de preços (opção de venda)
O produtor paga um prêmio (valor) e passa a ter o direito de acionar o seguro caso a cotação caia muito assim como um seguro de carro, que você aciona quando bate o veículo. Nessa modalidade de hedge, diferente das duas anteriores, o produtor só tem direitos. Por não possuir obrigações, essa opção é mais cara que as duas operações anteriores.

Exemplo: o produtor paga hoje R$ 30 por saca para ter o direito de vender seu café por 450 reais/saca nos próximos seis meses. Se a cotação do café cair abaixo de 450, digamos 300, o produtor recebe a diferença, nesse caso R$ 150 por saca. Porém, se o preço subir para 600 reais/saca o produtor estará livre para vender seu café.

Embora existam diferentes formas de o produtor se proteger contra variações de preço do café, tais ferramentas ainda são pouco difundidas e exploradas. Os produtores ficam literalmente contando com a sorte. É importante estar ciente que a cafeicultura é como qualquer outro negócio: possui custo de produção, margem de lucro e preço de venda. Nesse sentido, as ferramentas de hedge são importantes para que o produtor garanta sua margem de lucro e sua perenidade na atividade.

Vale lembrar que estamos falando apenas de risco de preço e da necessidade de uma boa gestão comercial. Afinal, os produtores de café enfrentam seca, geada, pragas, chuva de granizo, custo de mão de obra e, por isso, devemos agradecer e admirar aqueles que tiram da terra esse grão mágico.

Texto: Boris Gancev, Sócio fundador do Grão Gourmet e especialista em gestão de risco para cafeicultura.
Imagens: Gazeta Online e CCCMG

5 ideias sobre “Operação de hedge na cafeicultura, você sabe o que é?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *