Qual a diferença entre o café arábica e o conilon?

café arábica

Café Arábica X Café Conilon

Na última década, pelo menos, o café começou a mudar a cara do setor por meio da valorização de grãos especiais que dão origem a uma bebida mais saborosa.

Nesse mercado vigoroso também foram reforçados muitos rótulos – “o grão arábica é o nobre da família”, “o conilon (robusta) é o primo pobre” – e há quem não saiba as diferenças entre um e outro. “Mas todos os dois têm o seu valor”, explica Armando Androciolli, engenheiro agrônomo do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).

Para mostrar a relevância de cada um no mercado, o pesquisador esclarece a importância e a diferença entre eles; que têm em comum a mesma família (Rubiáceas) composta por mais de 60 espécies, das quais duas são cultivadas e comercializadas:

Café Arábica (Coffea arabica):

Proveniente das montanhas da Etiópia, é a espécie que dá origem aos chamados cafés finos por meio de suas muitas variedades (mundo novo, catuaí amarelo e vermelho, bourbon etc). A bebida feita a partir delas é considerada nobre por sua complexidade de aroma e sabor (doçura e acidez). Os cafés “gourmet” só podem ser extraídos por meio dessas colheitas.

O arábica representa 3/4 da produção mundial de café, concentrada entre Américas do Sul e Central. No Brasil, sua maior colheita está em Minas Gerais (principal produtor do país) e a safra nacional (2015/2016) foi de 31,3 milhões de sacas, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O preço pago ao produtor (saca de 60 quilos) é maior em relação ao conillon.

Café Robusta (Coffea canephora):

Originário do Congo e da Guiné, responde por 1/4 da produção mundial concentrada na África, Ásia e América do Sul. As variedades mais conhecidas são o robusta e o conilon, como é chamado no Brasil. No país, as lavouras estão basicamente no Espírito Santo e a última safra nacional foi estimada em 10,9 milhões de sacas, segundo a Conab.

Mais amargo, o grão não rende uma bebida fina como o arábica. Porém, ele é valorizado para a composição de blends e pela indústria de café instantâneo – possui mais substâncias solúveis (açúcares e cafeína)-, com grande aceitação nos mercados americano e europeu. A espécie também é mais produtiva (floresce várias vezes ao ano) em comparação à arábica e resistente a doenças.

Imagem: Site www.cultivando.com.br

Por Janice Kiss

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14 ideias sobre “Qual a diferença entre o café arábica e o conilon?

  1. Juarez Gonçalves Muniz diz:

    Gostaria de indagar aos senhores responsáveis pela qualidade do café conssumido no brasil pois, já foi anunciado na mídia que a qualidade do café consumido no país, seria igual a do café exportado. Mais uma vêz nós, consumidores do mercado interno nos sentimos enganados e, com a certeza de que nada que se fala neste país tem credibilidade. È simplismente deprimente e vergonhosa essa situação. Vamos crescer com decência a começar pelos produtos que consumimos.

    • Equipe Grão Gourmet diz:

      Olá Juarez, obrigado pelo seu comentário.

      De fato exportamos os cafés de maior qualidade e consumimos os de qualidade mais baixa, basta olharmos para os números de exportação do arábica e do consumo interno de conilon para chegarmos a essa conclusão.

      No entanto isso acontece por motivos puramente econômicos, além de nossa moeda ser mais fraca nosso mercado interno tem um poder aquisitivo bastante inferior aos mercados Japonês, Europeu ou Norte Americano, para onde nossos grãos especiais são exportados. Se você fosse produtor de café também procuraria vender seus melhores grãos pelo maior valor possível e o mercado externo paga mais.

      De qualquer forma, os cafés especiais estão ganhando cada vez mais espaço entre o público de maior renda no Brasil e hoje já é possível encontrar marcas 100% arábica ou cafés certificados.

      Um abraço e bons cafés.

  2. Davi diz:

    Penso que o melhor café é aquele que te encanta. O que me encantou foi justamente um robusta: o Kazzar da nespresso. Sonho com a possibilidade de encontrar um blende que me possibilite algo parecido em minha gaggia. Quem sabe o Grão Gourmet não me de uma luz?

    • Equipe Grão Gourmet diz:

      Oi Davi, via de regra o café Arábica é mais valorizado do que o Robusta, exatamente por possuir sabores e aromas mais complexos. Note que a bolsa de Londres, referência global para o preço do Robusta, sempre negocia a um preço mais baixo do que a bolsa de Nova Iorque, referência global para o preço do Arábica. Recentemente observamos uma anomalia no mercado local quando o Conilon (Robusta) chegou a ficar mais caro do que o Arábica, inclusive escrevemos um post sobre esse tema, mas isso foi momentâneo e o diferencial já abriu novamente.

      Prove nosso café, nós compramos os melhores lotes de café arábica da safra, você vai gostar também.

      Um abraço

  3. ricardo souza queiroga diz:

    TENHO UMA MARCA DE CAFÉ FINO E SISTEMATICAMENTE COMPRO E EXPERIMENTO GRÃOS . CHAMA A MINHA ATENÇÃO NAS CARACTERÍSTICAS DESCRITAS SOBRE O SABOR DOS GRÃOS . O ARÁBICA DURO TIPO 6 DE EXPORTAÇÃO NÃO APRESENTA BEBIDA ” ÁCIDA” COMO DESCRITO AQUI. SEMPRE SEM ACIDEZ . ASSIM DISCORDO DO TEXTO. O ROBUSTA/CUNILON SIM SEMPRE ÁCIDO NA BEBIDA. ARÁBICA ÁCIDO ?????????????.

    • Renata Kurusu Gancev diz:

      Olá Ricardo, obrigada pelo seu comentário. Quando falamos em doçura e acidez não entenda como defeito e sim como uma característica apreciável no café. Quando provamos um café de qualidade, conseguimos identificar doçura, acidez, corpo, finalização e tudo deve estar muito equilibrado em uma bebida de especial. Um abraço, Renata

  4. Silair Garcia diz:

    Eu realmente não conhecia um verdadeiro café até apreciar um 100% arábica… Não há o que se falar. A diferença é gritante para aqueles, que como eu, apreciam um bom café…

    Sou assinante da Grão Gourmet e estou satisfeitíssimo em receber todo mês um café de altíssima qualidade…

    Obrigado Grão Gourmet por me proporcionar isso…

    • Renata Kurusu Gancev diz:

      Oi Silair, tudo bem? Que bom que você gosta dos nossos cafés 😉 Selecionamos cada lote com muito carinho!
      Nós é que agradecemos você. Um abraço, Renata

  5. José Marcos Sasaki diz:

    Prezado editor
    Como consumidor de café gostaria que tivesse estampado em todas embalagens de café a composição (arábico, conilon ou a mistura). Vocês como divulgadores e formadores de opinião podem sugerir isso para as indústrias?

    • Renata Kurusu Gancev diz:

      Oi José, agradeço o comentário 😉
      Como consumidor também gostaria. Quando é 100% arábica sempre está na embalagem. Se não estiver, deve ser o blend então. Dificilmente você achará no mercado um café apenas conilon. Um abraço, Renata

  6. Lucine diz:

    Muito estranho o comentário onde defende a exportação por casa do baixo poder aquisitivo do brasileiro. Moro em Londres e pago bem barato por cafés finos de qualidade!!! Muitos vindo do Brasil

    • Renata Kurusu Gancev diz:

      Oi Lucine, tudo bem? Agradeço o comentário. Não estamos defendendo a exportação, o fato é que os melhores cafés são exportados pois os compradores de outros países, com uma cultura maior de cafés especiais, pagam um valor maior pelas sacas de café produzidas aqui. Por isso você compra ótimos cafés brasileiros em Londres 😉

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